A grande mensagem do Cristo

   

    O que me encanta no quinto evangelho, supostamente escrito por Tomé, um dos doze apóstolos chamado por Cristo a Grande Missão – Evangelho este encontrado em 1945, por lavradores que faziam escavações num velho cemitério de Nag Hammadi, no alto Egito – é a profundidade das palavras, a espiritualidade contida em seus versículos. É como se estivéssemos presentes, como se fossemos o décimo terceiro dos apóstolos ali junto ao Cristo Vivo.

          Palavras ecoadas do diálogo entre Jesus - o Cristo, e seus Apóstolos, quando os preparavam à grande batalha espiritual.
          Sei o quanto é preciso ser forte na caminhada cristã, pois renegar as vontades da carne, os desejos egoístas é uma tortura imensa a alma... Mas, confiando na Luz redentora podemos crer superar todas as chibatadas sedutoras do mundo que vir cortar nossa carne ainda viva... Ah, mas como o pecado é atraente a pobre carne miserável de o humano ser!...
         
          Mas qual o chamado maior dos evangelhos senão o “nascer de novo”? Este “nascer do espírito!” Faz-se necessário morrer!... Porém uma morte espontânea – egocídio – e não uma morte compulsória – um suicídio –
         
          Quem compreende esta misteriosa forma do “nascer” bebi e se inebria da “Fonte borbulhante” oferecida pelo Cristo Redentor. Deixa-o de ser discípulo do Mestre, pois o Mestre está nele transbordando em espírito!... “Eu e o Pai somos um: eu estou no Pai e o Pai está em mim!” – Eu e o Mestre somos um: eu estou no Mestre e o Mestre está em mim!
         
          A nós que conhecemos tão só o “nascer da carne” é com certa estranheza que ouvimos estas palavras, com o coração duro, trancado; desviando o nosso olhar do olhar do Mestre brilhando na serenidade de sua alma... Mas, “Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do espírito.”
         
          “Nascer do espírito” é “desnascer” à carne... “Quem nasce da carne é da carne, quem nasce do espírito é do espírito”. Temos aqui uma escolha, não há “meio-termo”, é isto ou aquilo! – a carne ou o espírito – Já disse o Nazareno noutro momento que o “homem não pode servir a dois senhores”, que seja ao mundo ou que seja a Deus. Se servires ao mundo terá a recompensa do mundo – a morte – mas se viveres para Deus, terá de Deus a vida em abundância!... – eterna – Servir ao mundo é viver segundo a carne, desfrutar desta nascença primitiva! Servir a Deus é nascer do espírito, viver em espírito, em estado supremo!
         
          Nicodemos é o exemplo de homem nascido da carne, conhecedor dos desfrutes da carne; sábio, mestre das coisas profanas... Este não compreendeu a grande mensagem do Cristo, pois seu viver em carne o tornava ignorante do viver em espírito. Eis o antagonismo entre dois modos de nascença!... – da carne e do espírito –
         
          Quantos Nicodemos há no meio de nós?!... Quantas vezes passamos por ignorantes desta grande arte do “nascer do novo”?
         
          Quem nunca deixou o seu coração ser agraciado, guiado pela mensagem libertadora do Cristo Jesus jamais compreenderá uma única palavra dos “nascidos do espírito”. Continua a viver sob o signo do nascimento da carne... E como a carne é perecível; perecível é este sábio das coisas fugazes do mundo material!...
         
          “Nascer do espírito” não é necessariamente abandonar as creaturas, os afazeres, o mundo e exilar-se por detrás de muralhas imensas; deixar “no sentido da palavra” casa, trabalho, família... Mas, olhar as coisas de um olhar diferente, espiritualizá-las com a nascença do espírito!... Não fazer-se morto compulsoriamente – suicidar-se – a fim de realizar em si a plenitude do espírito divino. Esta atitude é mais alta forma de covardia humana – quem tira sua própria vida não é digno da vida que tem – A mensagem é “nascer!” e não morrer.

Amigo,





         Não é e nem pode ser nosso intento trazer aqui uma nova doutrina, uma nova fachada de igreja, um novo estandarte estampado a face de um ídolo, o nosso convite deve ser galgar o caminho do Cristo... O Cristo que é: verdade plena. Não poremos a ninguém contra sua doutrina, mas abrir olhos quanto às ditas “verdades” que pronunciam aqueles que se dizem do Cristo, mostrando-lhes um caminho fácil, sem sofrimento, quando na verdade deves olhar no exemplo de Jesus. O caminho do Cristo é tortuoso, cheio de espinhos... Não te dizem a verdade como devias; rouba-te a verdade! – a “pérola dos reinos dos céus” – 

          Tu deves perguntar no teu âmago que autoridade temos a fala de coisas do alto, se vivemos neste horizonte... Pensamos antes que não somos nós que as queremos dizer, mas o Cristo... Necessitamos galgar por este caminho... Estamos sujeitos ao mundo, pois, ainda não “desnascido” da carne. Enquato temos a vida pulsando em nosso ser nosso grande ideal deve ser vencer a morte...

É dificílimo rejeitar nossos desejos de ganhar o mundo, mas é necessário rejeitar – não porque deve ser assim, mas porque é assim. É uma tarefa árdua compreender que as regalias do mundo material não nos trazem felicidade plena, que a plenitude de nossa vida consiste em renegar a nós mesmos, a nossos impulsos diários... E quando compreendemos que o mundo é tão misero em face desta bondade que anima nossa alma trazendo um suspiro de eternidade, somos vitoriosos porque o vencemos, e não mais somos seus escravos.

Não esqueçamos de nossa condição humana, de nossas necessidades vitais, mas não podemos demasiar nossa existência a coisas supérfluas. Para garantirmos viventes nesta vida tão efêmera não é preciso explorar nossos semelhantes, mas sim buscar o necessário para nós, viver integramente. Acumular materialidades é aceitar sua condição matéria como imperativo humano. E guiando-se por este caminho é certificar-se do fim da vida breve sem a visão da vida inacabada... Entretanto, não é o corpo material, nem a personalidade – que é algo categórico da mente humana– que ganha eternidade após a morte, mas somente a alma, esta, por permissão nossa, movida pelo espírito divino torna-se eterna. A eternidade está no “nascer do espírito!” Somente o que é imaterial não necessita de tempo e espaço para existir. Sua existência é real! E ser real é garantir o existir para sempre!... 

          Aqui eis nosso convite a uma vida dinâmica e infinita: “nascer do espírito!” Para isso é necessário abandonarmos os barcos que nos arrastam aos mundos desregrados dos nascidos tão só da carne, não mais regressar as doçuras do mundo efêmero e ilusório... Melhor, vamos pôr fogo nos barcos!... Sem eles nossa vida será mais segura, aprenderemos a nadar nas águas do espírito e não mais teremos necessidades de refúgios em ilhas tormentas...
         
          É tão difícil superar os desejos da carne, o ego de querer viver só para nós, querer o mundo! Deixar ser escravo dos objetos mundano não é nada fácil, os adoramos como deuses... Não, não é fácil mesmo “desnascer” da carne e “nascer do espírito”. Mas, não há sacrifício sem dor!... Não há glória se antes não haver persistência ao grande ideal. E o nosso ideal agora é pôr fogo nos objetos que nos prendem ao mundo, que nos arrastam e nos fazem escravizados... Aos poucochinhos adentrar numa nova vida, uma vida em comunhão com o Cristo Onipresente em nosso pequeno ser humano!...

          Só nós sabemos dos nossos tormentos diários e noturnos, das doçuras que não nos trazem o sabor eterno a nossa existência... Cabe-nos buscar forças em nós mesmos, pois somos divinos, suficientemente fortes para vencer os objetos que nos prendem a este falso mundo!...       

A prostituta

     

     Se Sócrates vivesse naquele tempo e andasse pelas ruas de Jerusalém e contemplasse aquele pregador de verdades – o bom Nazareno – com toda sabedoria divina, por excelência, encontraria n’Ele o modelo prático de sua filosofia de homem imortal, “combinação de uma alma e de um corpo que se unem para toda a eternidade”. Pois que sua vivência íntegra, a verdade materializada no humano Jesus transbordaria de jubilo o coração do filósofo grego... Aquele homem divino, lucificado pelo espírito de Deus em abundância, conduzindo aquelas pobres almas ao caminho da verdade – Ele mesmo –.
          O filósofo um dia despertado a grande Realidade simplificou em poucas palavras a ignorância do homem diante ao conhecimento divino, “O sábio deve antes de tudo saber que nada sabe” – E nada sabia, era ciente de sua ignorância – Estava Sócrates na luz da verdade! Era sábio por dobrar-se à sabedoria universal!... Mas adiante diria Paulo de Tarso que “Deus apanha o sábio em sua sabedoria”. 
          Ah, se pudesse contemplar aquela sena: uma mulher à beira de seu apedrejamento porque a julgavam pecadora... Aquele moço tomando a frente daquela prostituta, a advogar sua causa, se ajoelhando e riscando o chão como se procurasse uma palavra para defender aquela Madalena... Mas, a palavra era; já sabia o Mestre o que dizer antes que o primeiro perseguidor apanhasse a pedra – Apenas sente a alma em frêmito... – “Quem não tiver pecados – dizia o Cristo erguendo-se – que atire a primeira pedra!” Um grande silêncio toma a consciência de cada um daqueles pecadores... Tão logo a multidão dispersa, e a absolvição da prostituta é dada: “Segue, e não mais volte a pecar”.
          O que mais impressionaria o velho Sócrates não era o fato de aquele homem tão puro advogar em causa de uma prostituta, entregue a luxuria da carne... Tampouco seus pecados perdoados num olhar seguido de poucas palavras; mas a sabedoria em desatar aquele nó. Pois o Nazareno encontrava-se numa encruzilhada: a vista havia apenas duas respostas aos agressores de Madalena, uma era aceitar a luxuria como algo lícito, neste caso terminaria por adulterar a Lei de Moisés quanto à prostituição, e o pior, seus princípios imutáveis; outra era condenar aquela mulher e numa só palavra tornar-se cúmplice ao massacre daquela prostituta indefesa... Mas não, havia uma saída! E não era uma probabilidade! Era uma verdade!... Com sabedoria mais que qualquer pensador helênico agiu em defesa à Madalena, condenando seus agressores por suas consciências, ou seja, apanhando os sábios na sua própria astúcia.
          Apenas um poderia apedrejar a transgressora da lei mosaica, mas este veio ao mundo não para apedrejar os pecadores, mas para perdoá-los afim de que não pequem mais. Conduzi-los à Luz!

Castidade


“Castidade é, antes de tudo, um imperativo biológico.
Castidade não é necessariamente abstenção,
mas sobretudo disciplina sexual”(Huberto Rohden).

          Tomando como ponto de partida à nossa reflexão, utilizamos destas tão sublimes palavras escritas por Rohden. Antes de aceitá-las como verdade é preciso que voltemos um pouco na história.
          Trazemos como subsidio ao pensamento de Rohden a concessão do apóstolo Paulo de Tarso, no que se refere ao matrimônio ou celibato.
          É necessário controlar os impulsos libidinosos, se assim não fizermos, jamais alcançaremos a luz do nosso maior ideal – o nascimento pleno do espírito – Paulo nos deixa claro a fraqueza humana diante a satisfação sexual, que é vital do nosso estado animalesco, mas desnecessário ao hominal. Aqui descrevo: “por causa da prostituição, tenha cada homem sua própria mulher e cada mulher seu próprio marido.” A concessão de Paulo ao sexo não quer dizer que o homem e a mulher estão isentos de penas por excesso libidinoso, ao contrário, impõe ao homem e a mulher que mantenham certa disciplina sexual, a fim de aproximar a renascença do espírito. Enquanto busquemos o prazer da carne o nascer ao espírito torna-se uma utopia.
          A poesia de Moisés nos Gênesis nos chama a atenção de como o pecado tenha entrado no mundo: através do fruto proibido, ou seja, da descoberta da libido, e este é o pecado original da árvore do conhecimento. 
  “Contudo queria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um deste modo, e outro daquele” Paulo encontra-se num estado de renuncia total do seu ego humano, lucificado pela luz divina, “desnascido” da carne ao espírito. Por mais que distanciamos os olhos da verdade, ela jamais deixará de ser o que realmente é: imutável.
          Rejeitar nossa condição humana, a “árvore do conhecimento”, e mergulhar de total entrega a “árvore da vida” é tornarmos verdadeiramente nascidos para o espírito... Isto é possível, consta-se em nossa história mais recente um bom exemplo. O grande líder religioso indiano Mahatma Gandhi, traduz em sua vida perseverante essa possibilidade de renegar os impulsos da carne em demanda ao espírito divino, que é nossa verdadeira identidade. “Não vos negueis um ao outro, senão de comum acordo por algum tempoEsse “acordo” que refere Paulo, é o que de fato comina numa vivência integra, harmoniosa. Prolongar este “tempo” é integrar-se aos poucos ao grande ideal que nos libertam da Lei de Moisés e nos integra a “nova aliança com Deus”. E esta “nova aliança” nos convida “a estatura da plenitude do Cristo”.

A Lei que rege o destino do homem por si mesmo é sua própria Lei.
O homem que busca o conhecer a si mesmo é regido pela Lei divina.
O Homem quando conhece a si mesmo, esse já não necessita mais da Lei, pois se integrou à Lei, é a própria Lei.

O celibato ou matrimônio?


“Quem não é casado cuida das coisas do Senhor e procura agradar ao Senhor; mas quem é casado cuida das coisas do mundo e procura agradar à mulher – e está dividido.” (1 Co.7, 25-40)

          A verdade muitas vezes nos faz resmungar a nós – porque ainda nascidos segundo a carne; ainda desconhecedores da grande arte! A nascença do espírito. O Mahatma dizia que “a verdade é dura como o diamante, e delicada como a flor do pessegueiro.” Verdade esta tão bem expressa por Paulo de Tarso em suas magníficas epístolas.
          O celibato ou matrimônio? Eis a pergunta que perturbam gerações a gerações... Pergunta esta já respondida, e respondida claramente por Paulo em sua primeira epístola aos coríntios – posteriormente a nós cristãos do mundo inteiro! Mas nós, leitores contemporâneos do século XXI parece ignorar, ou não mesmo compreende, a profunda mensagem do Cristo em Paulo.
          O padre deve ou não se casar? Mas quem o impede de contrair matrimônio se não sua consciência? Todo homem é livre a fazer o que bem quer... É ele senhor do seu destino; Deus o deu livre-arbítrio. Continua Paulo em seu discurso por escrito: “cada um tem de Deus o seu próprio dom, um deste modo, e outro daquele.” Se o dom que recebeu de Deus aquele homem a se tornar celibatário, assim como Paulo o era, servindo unicamente ao Senhor, nada e ninguém o impedirá nessa sua missão; de mesmo modo ninguém o pode impor outro destino se o dom deste seja contrair o matrimônio. É bom lembrar o que diz Paulo: “quem é casado cuida das coisas do mundo e procura agradar à mulher – e está dividido”
          O Mestre Jesus não proibiu a nenhum de seus apóstolos a não casar-se, este compreender veio espontâneo de acordo com a nascença do espírito, “quem nasce da carne é da carne; quem nasce do espírito é do espírito”. Que necessidade sexual havia àqueles homens que fizeram do seu erotismo carnal a divina alquimia à mística espiritual? Alguns daqueles chamados aos doze discípulos a participar dos mais sublimes diálogos com o Cristo eram casados, no entanto, não viviam segundo a carne, mas segundo o espírito. “Se alguém vier a mim, e não aborrecer a pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não pode ser meu discípulo.” (Lucas - 14).
          Diz Huberto Rohden em seu livro Paulo de Tarso: “Um celibato compulsório constituiria um verdadeiro perigo, não só para a igreja, mas ainda para o próprio caráter do apóstolo. (...) Não menos funesto seria o celibato obrigatório para o caráter do apóstolo, que, sem vocação nem aptidão para o seu munus, teria de continuar nesse estado, acabando fatalmente em uma “hipocrisia profissional”.
          Talvez por preceitos de um abandono em massa dos celibatários as suas atividades religiosas a igreja católica evita, a todo custo, decretar o fim do celibatário obrigatório – é isso que nos parece essa resistência. Desta forma, tão danosa se torna a humanidade o celibato forçoso que o celibato compulsório, quanto o celibato na verdade é uma entrega total e espontânea por amor ao Cristo. 
          Se a igreja católica tivesse confiança no seu poder sacerdotal não havia necessidade alguma em “proibir” o matrimônio aos seus celibatários, que é direito de cada homem que não tem o tem por dom. Tornar-se-ia escassos pastores a guiar os rebanhos?... Pode até ser, mas por outro lado um celibato verdadeiro contribuiria muito mais a humanidade que 10 ou 100 ou 1000 celibatos falsários.
          Se, por ventura, a igreja católica desse liberdade aos seus ministros religiosos em escolha deste ou daquele modo a galgar suas vidas saberíamos a que ponto a hipocrisia religiosa pondera no catolicismo. Por certo veríamos na face dos celibatários que restassem àquela mesma essência aureolada que era envolta Paulo de Tarso. Talvez não vivamos o cristianismo em sua autêntica formação, e sim uma ética apoiada na hipocrisia religiosa dos condutores cegos pelas belezas do mundo efêmero...
          Ser pastor a pastorar ovelhas perdidas aos “Reinos do céu” é antes de tudo ser nascido do espírito!... Quem nasce do espírito não conhece a hipocrisia porque inebriado está na Fonte borbulhante que oferece o Cristo. E este homem não é mais deste mundo, embora viva no mundo. Este contemplou o indizível, por saber o que é o nascer do espírito não sabe dizer...
          O sabor do mundo imaterial a nada se compara a nenhum sabor do mundo material.

Concessão ao aborto?

      Se os nossos lideres religiosos de hoje tivessem a mesma desenvoltura em lidar com tais assuntos de extrema dificuldade, que requer um pouco de intuição divina, que o Apóstolo Paulo de Tarso, o caos religioso, filosófico, cientifico e político que vive a humanidade atual, seria um pouco menos dramático. Pois em questões tão complexas era ele mestre em resolver embarace que confundiam o pensamento dos cristãos.
          Na epístola aos coríntios quando perguntado sobre a castidade e o matrimônio diz com a autoridade dado pelo Mestre Jesus – o Cristo – “Ora, quanto às coisas de que me escrevestes, bom seria que o homem não tocasse em mulher; mas, por causa da prostituição, tenha cada homem sua própria mulher e cada mulher seu próprio marido.” É bom frisas estas palavras, por causa da prostituição”, ao contrário, lhes é bom se ficarem como eu.” E Paulo continua, “Digo isto, porém, como que por concessão e não por mandamento.” Esta concessão é dada por Paulo afim de que não haja prostituição. Mas não termina por aí a luta entre o desejo carnal e o espírito de libertação do pecado.
          Paulo, como poucos lideres religiosos compreendeu sua verdadeira missão apostólica, até mais que os primeiros doze Apóstolos, esses custaram a compreender a verdadeira mensagem do Cristo, que é “nascer do espírito”, ainda curvavam-se diante de alguns rituais da Lei mosaica. Não era ele meramente um decodificador de Leis, mas um promotor confiado pelo grande Juiz!... Não veio para modificar a Lei sagrada, mas para aplicá-la com justiça, de acordo com a necessidade do povo. Sabia ele de sua autoridade como receptor e propagador da palavra de Deus, tinha autoridade em dar consentimento em certas situações embaraçosas, isto sem fugir da essência da verdade suprema.
          Faço aqui esta ligeira descrição do Grande Bandeirante do Evangelho do Cristo para discorrer sobre tal situação semelhante as que viviam as gerações paulinas vive hoje a nossa geração contemporânea: o escândalo do aborto, casual de discórdias em nosso meio, entre a religião católica e a medicina.
Assim anunciaram os jornais: “Menina de nove anos foi estuprada pelo padrasto e, conseqüentemente, engravida de gêmeos”. Uma situação um tanto embaraçosa e dramática. Diante da impossibilidade de a menina gerar estas duas crianças ainda em formação, os médicos optaram por abortar os fetos... Discórdia da igreja católica representada por um bispo, este excomunga a junta médica responsável pelo aborto.
          Mas qual na verdade seria a melhor maneira de conduzir a situação desta pequena creatura vitimada pela brutalidade de um animal primitivo?
          Deus deu aos médicos discernimento quanto a contornar situações semelhantes, capacitou-o a decidir a que ponto pode um ser, ainda frágil seus órgãos internos e externos, gerar outra vida, neste caso duas vidas, ser este ainda em formação... Três vidas em risco de morrer! Três vidas inocentes. Mas havia uma única chance em preservar uma dessas creaturas: abortar dois fetos impossibilitados de vir a tornar duas crianças, minimizar a desgraça anunciada. Que fazer? No meu ver, a razão está com os médicos! O bispo equivocou-se, excomungando-os – como se tivesse autoridade suficiente, nem mesmo se sente autorizado em dar consentimento a tão dramática situação –
É triste, mas não deixa de ser a verdade, os lideres religiosos de nosso tempo perdem aquela mesma essência encontrada nas cartas paulinas. A igreja ainda continua edificada porque o espírito do Cristo permanece vivo entre nós!

Maria – mãe de Jesus

     
      Segundo Mateus em seus escritos sobre a vida e obras de Jesus – o Cristo – conta que o Nazareno teria nascido de uma virgem. Até aí tudo bem. Mas nas traduções dos textos bíblicos ao português encontramos controvérsias sobre a pureza ou não de Maria após o nascimento de Jesus. 
          Segundo o catolicismo se escreve assim essa passagem bíblica: “Quando acordou, conforme o Anjo do Senhor havia mandado: levou Maria para casa, e, sem ter relações com ela, Maria deu a luz a um filho. E José deu a ele o nome de Jesus.” Sobre o mesmo ponto traduz os evangelhos protestantes: “E José, tendo despertado do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu sua mulher; e não a conheceu enquanto ela não deu à luz um filho; e pôs-lhe o nome de JESUS.”
          Este enquanto é causa de discórdias entre cristãos protestantes e católicos. Uns afirmam por meio dos testamentos bíblicos a castidade de Maria após o nascimento de Jesus, outros afirmam também, pelos escritos sagrados, a não virgindade da mãe de Jesus após seu nascimento. Afinal, Maria preservou-se virgem ou não após dar a luz ao “Filho do Homem”?
         Na primeira tradução nada encontramos sobre a virgindade de Maria após o nascimento de Jesus, mas a segunda tradução nos abre um leque quanto sua integridade após o nascimento do Cristo.
           A igreja católica segue a intuição de que Maria tenha se preservado virgem após o nascimento do menino até o fim de sua vida. Já os protestantes acreditam piamente que Maria tivera relação com José após o nascimento de Jesus, ainda nos dão confirmações supostamente encontradas nos próprios textos bíblicos quanto supostos filhos carnais entre José e sua esposa Maria. “Enquanto ELE ainda falava às multidões, estavam do lado de fora sua mãe e seus irmãos, procurando falar-lhe. Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, e procuram falar contigo. Ele, porém, respondeu ao que lhe falava: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos? E, estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.” (Mateus). Mas quem é na verdade os irmãos de Jesus em companhia de Maria, sua mãe?...  
          Mais adiante, nos escritos de Mateus encontramos este trecho: “Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?” Seriam estes os irmãos de Jesus por parte de Maria e José?
          Ainda no princípio do seu livro Mateus relata o chamado dos apóstolos aos doze: “E Jesus, andando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãosSimão, chamado Pedro, e seu irmão André, os quais lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores.” – Aqui o primeiro encontro de Jesus com os irmãos Simão e André – “E, passando mais adiante, viu outros dois irmãos – Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, no barco com seu pai Zebedeu, consertando as redes; e os chamou.” Tiago e seu irmão João eram filhos de Zebedeu.
          Os “irmãos de Cristo” a que se referem os evangelhos são na verdade seus apóstolos chamados ao convívio mais próximo do Mestre enquanto Ele ainda não havia subido ao Pai – embora Jesus afirme que todos são seus irmãos – Estes acolhidos por Maria como filhos gerados por ela. Nem sempre Jesus andava em companhia de seus doze apóstolos. Eles não foram chamados a serem guardiões do filho de Deus na terra, mas escolhidos a compreensão da divina mensagem do Mestre, o mistério “nascidos do espírito”, a fim de propagar a todas as gerações vindouras... “Se alguém vier a mim, e não aborrecer a pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não pode ser meu discípulo.” (Lucas - 14).
          Quanto a esta questão de irmãos de Jesus por parte de Maria e José a igreja católica rebate com a justificativa de que primos carnais também eram tidos como irmão naquele tempo. Neste sentido os ditos “irmãos de Jesus” eram na verdade primos: Tiago, José, Simão, e Judas?”– e mais adiante, João – “Mulher, eis teu filho! João, eis tua mãe!”
          Pois bem, nos escritos de Lucas encontramos Jesus aos doze anos... Assim dizem em ambas as traduções: “E o menino ia crescendo e fortalecendo-se, ficando cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele. Ora, seus pais iam todos os anos a Jerusalém, à festa da páscoa. Quando Jesus completou doze anos, subiram eles segundo o costume da festa;” Então, aqui encontramos um novo mistério. Se Maria e José tiveram mesmo relações após o nascimento de Jesus, então porque até aquele instante só tinha como filho o menino Jesus? Sabiam eles que ter relações sexuais tinha de ter como finalidade a procriação e não a satisfação dos desejos da carne?... De fato, Maria “bendita entre as mulheres”, tendo seu útero como templo escolhido por Deus Pai a formar o “Filho do Homem”; Maria compreendida de sua missão de mãe do Cristo Redentor, vivenciando cada passo do menino; Maria que soubera a hora exata de o Cristo revelar-se a humanidade com sua capacidade infinita de cura e perdão as creaturas tão necessitadas de vida plena... Maria que suportastes a mais penosa dor de ver seu filho injuriado, espancado ao calvário à morte de cruz... Não; Maria não se daria o desfrute em adulterar-se sua integridade, pois ela fora espiritualizada com o verbo divino a se fazer carne em seu ventre... E juntamente com esta formação transformava-se... Maria nascia do espírito quando nascia ao mundo – a resgatar os perdidos – o Cristo em espírito e verdade!...     
          Que necessidade em conhecer os prazeres carnais da libido há a alguém que nasceu do espírito com o Cristo? É evidente que tanto Maria quanto José – pais terrenos de Jesus – preservaram-se íntegros até o fim de sua vidas, porque estes foram chamas a discípulos do Cristo, a Luz do mundo.

A última ceia do Cristo

             “Façam isto em memória de mim” (Lucas – 22-19)
          Que representa para nós, discípulos e discípulas do Mestre Jesus, a última ceia do Cristo? E quem, de fato, é chamado à partilha? Estas perguntas há muito tempo venho tentando respondê-las a mim, mas tenho encontrado embaraces diante as múltiplas interpretações que os chefes religiosos nos têm dado.
          Tenho em mãos um pequeno folheto distribuído gratuitamente por determinada igreja cristã, não acho de interesse revelá-la, a qual por meio do folheto diz “comemorar todos os anos a morte de Jesus na memória trazida à última ceia”. Pergunto, devemos mesmo comemorar a morte de alguém? Ainda mais quando este alguém nos tem mostrado maior sinônimo de perfeição em verdade? Não acredito que esta seja a representação da última ceia do Cristo. Comemorar suas últimas quatorze horas de sofrimento, caluniado e espancado; condenado e crucificado pela verdade – sem meio termo – publicada na sua mais autêntica constituição perante ao tribunal dos homens, mestres deste mundo.
          Outra argumentação, vindo de outra igreja dita também cristã, diz que para habilitar-se a participar da ceia em memória do Cristo devemos confessar nossas faltas aos homens, como se Deus, que é verdade, fosse alheio a nossa vida íntima, estivesse aqui distante de nós anos-luzes...
          Para que confessar aos homens terrenos se o perdão vem do alto, do Deus Absoluto, Onipresente? Será mesmo que o confessor esteja menos próximo do Pai que o confessionário? Só Deus é que mede a extensão de nossos atos, só Ele é quem nos traz o perdão, que nos redime, edificam das cinzas serpentinas às alturas do Cristo redento!...
          Participar da ceia em memória do Cristo entregue aos homens por amor a humanidade, é direito dado por Deus a toda e qualquer creatura discípulo e discípula do “Filho do Homem”. É um momento sagrado em que se reflitam as últimas horas do Cristo antes de voltar ao Pai, anunciando que a próxima ceia com Ele será no “Reino dos Céus”. E o que nos conduzirão a glória dos altos é nossa retidão, nossa entrega a conservarmo-nos íntegros em nossa nova nascença, o nascer do espírito.
          A consciência de cada um de nós sabe se não ou preparados encontramos para beber do mesmo cálice que o divino Mestre.                    

O significado intrínseco da Eucaristia


A última ceia...

O momento de eclosão da vinda do amor materializado no homem Jesus. O momento revelador da natureza humana na atuação de cada um dos doze discípulos ali presente em face do calvário tão próximo...
               
“E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim.”

O corpo? Mas como...? Sim, o corpo oferecido ao martírio da cruz, não por sacrifício, mas por amor a humanidade... Ação inteligível a precária inteligência do homem comum. “fazei isto em memória de mim.” Entregar-se a verdade do Cristo com o Cristo... E isto é partilhar com Ele da ceia do pão vivo transformando-se em pão, no exemplo. “Eu sou o pão da vida”.

“Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.”

“a nova aliança no meu sangue”. Esta aliança sem mordaças nem correntes, sem chibatadas e apedrejamentos, sem indulgências e sacrilégios... Esta aliança no sangue escorrido pelo calvário, perfeito sangue de um homem-amor... Aliança que nos convida a caminhar o mesmo percurso que o Cristo, tendo sempre na memória um dos maiores atos de amor ao semelhante.

A compreensão de tudo isto é contrária ao verdadeiro significado que é, fazer-se pão vivo na doação semelhante ao Mestre que se permitiu ser levado ao Gólgota... Sim, se permitiu, pois podia Ele, como sendo presença viva de Deus, afastar de si aquele cálice, pois, “Eu estou no Pai, e o Pai está em mim.”

Não; comungar com Jesus, o Cristo, não é simplesmente comer pão e tomar vinho, como fazem os cristãos do mundo inteiro. Comungar com o Cristo é uma atitude de doação constante ao martírio da cruz... Fazer-se pão de entrega, sem reservas, pois, são poucos, pouquíssimos os que levam o cálice até os últimos instantes: “Pai, entrego em tuas mãos o meu espírito.”  

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos, e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido cúmplices no derramar o sangue dos profetas. Assim, vós testemunhais contra vós mesmos que sois filhos daqueles que mataram os profetas. Enchei vós, pois, a medida de vossos pais.” (Mateus, 23 – 29,32)



          A maior parte das igrejas evangélicas, as protestantes, fazem questão de relembrar o passado tenebroso da Igreja Católica da Idade Média, como se seus lideres religiosos de hoje fossem os mesmo daqueles dias...  A inquisição, os dogmas, à defesa dos escravocratas, tudo isso são legados aos contemporâneos. Na verdade são pretensões político-religiosas. Disfarçadas com a bandeira do Cristo de acolher as suas organizações ditas cristãs um número cada vez maior de seguidores...
          Por que martelar o passado sombrio dos lideres religiosos do catolicismo? Não será isso uma propagação de rancor entre os povos? A mensagem do Cristo é dar o perdão, não disseminar o ódio entre as nações... Os ofensores da Idade Média já não mais existem entre os viventes de hoje, nem os ofendidos – os “guias cegos” e os guiados por eles... Não há motivo em trazer à toma o passado horrendo.
          Toda culpabilidade quanto a situação dos alarmantes números de contaminados pelo HIV no Continente Africano as Igrejas protestantes, em sua grande maioria, deixa sobre o Clero Romano, afirmando assim implicitamente o poder religioso que exerce a Igreja Católica sobre os povos africanos, como se a palavra do Papa fosse autoridade unânime. E como contrapartida à proibição da camisinha pela Igreja Católica eles distribuem em milhares semanalmente, alegando que essa seja a única solução a conter o avanço da AIDS no continente.
          Não há intenção alguma de conversão no ato deliberado das Igrejas evangélicas, o que há de fato é um intuito político em conquistar os fiéis da organização do catolicismo as suas organizações, ignorando o verdadeiro papel do líder religioso que é resgatar almas à Cristo! “Quem não está contra mim, está a favor de mim.”
          Na verdade, nem esta nem aquela organização político-religioso age de maneira coerente com a verdade. Não assimilaram ou ignoram as palavras do Aposto Paulo. Enquanto um age pela ignorância outro pela esperteza; um no vácuo daquele.
          Sei, deve perguntar-se qual a melhor conduta? Como se deve sair desta encruzilhada? Vejamos, Deus nos deu livre-arbítrio, não é verdade? Temos a nossa vida a galgar às trevas ou a luz... A escolha é nossa! Renegar nosso ego ou satisfazê-lo. Nem o Papa nem qualquer outro lidere religioso tem autoridade em obrigar a ninguém a fazer algo contra sua vontade, nem mesmo Jesus Cristo obrigou a ninguém a segui-lo... Se assim o fizer, não é ele um lidere religioso, mas um ditador político. Então, o lidere religioso não tem autonomia a proibir o fiel em seguir por esse ou por aquele caminho, porém revelá-lo o caminho que leva a Luz... – a Cristo –
          O que acontece neste caso da liberação ou não do preservativo entre as populações africanas, posteriormente o mundo todo a aderir, é uma briga de nervos, de orgulhosos que agindo por meio do egoísmo ignora que o seu inimigo é também seu semelhante, que o são da mesma matéria compostos; que o Deus que buscam em suas orações é o mesmo Deus. Não entram em bom senso, pois seus orgulhos derramam o ódio no coração de ambos...
          Paulo de Tarso nos diria, se estivesse a pregar neste século XXI, que a pena para o pecado as aberrações do instinto é o HIV. Porém, por causa da higiene, da saúde publica, do crescente número de contaminados pela AIDS, nos daria por concessão, e não por Lei, a liberação do preservativo... Cabem aos povos na medida em que sua nascença do espírito se concretiza abandone os desejos carnais a fim de viver a castidade por amor ao Cristo. “Quem vive de acordo a vontade da carne é da carne; quem vive o espírito é do espírito” Paulo de Tarso condenaria a ignorância da Igreja Católica e repudiaria a conduta interesseira, hipócrita de parte das Igrejas evangélicas.
          A meu ver, as Igrejas protestantes apóiam-se no passado sombrio da Igreja Católica, a fim de arrebatar fiéis as suas organizações, do outro lado rebate a Igreja Católica na tentativa de segurar seus seguidores... Quando na verdade o autêntico espírito do cristianismo é rebuçado pela rivalidade hipócrita das Igrejas capitalistas. Os fieis acabem como que bolinhas de ping-pong de um lado a outro nesta brincadeira que levam ao trágico fim que os seus “guias cegos”.     
“Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.” (Mateus, 7-15)


As mãos de Paulo


“Nunca comi de graça o pão de ninguém, estas mãos ganharam o necessário para mim e meus cooperadores” (Paulo de Tarso)



          Que mãos eram aquelas, calejadas pelo labor noturno? Mãos de um pequeno artesão de um grande ideal!... – o Cristo –
        
          Paulo era verdadeiro não só em suas palavras, como hoje muitos lideres religiosos são, mas também nas suas ações diárias.  Mesmo sendo de direito de o apostolado ser sustentado pelos fiéis não se achava digno, preferia ele mesmo derramar o suor a sustentar a si mesmo e até aos seus companheiros de estrada.
         
          Mãos que Deus as usou como intermediarias de milagres! Como descreve Lucas nos atos dos apóstolos: “Deus realizava milagres extraordinários pelas mãos de Paulo, a tal ponto que pegavam lenços e aventais usados por Paulo para colocá-los sobre os doentes, e estes eram libertados de suas doenças e os espíritos maus eram afastados.” (Atos, 19)
         
          À quais mãos comparar aquelas mãos nascidas plenamente do espírito? Que infâmia seria compará-las a quaisquer mãos humanas de hoje em dia... Mas as compararam! Como me cai triste na alma esta imbecil comparação das mãos de Paulo as mãos de um bispo magnata da fé... Aqui eis o que li e que me deixou pasmado, caro irmão em Cristo: “E Deus, pelas mãos de Paulo, fazia milagres extraordinários...” (Atos 19:11) “E pelas mãos do bispo (...) também!” Que blasfêmia!

          Paulo jamais permitiria que suas mãos fossem comparadas às do Cristo, pois sua humildade de sabedoria o curvava diante da grandeza do divino Mestre... Que humildade há neste Bispo em permitir que suas mãos fossem comparadas ou até mesmo, mais enobrecidas que as mãos do pequeno grande homem do evangelho do Cristo?... É lastimável a que ponto as comparações humanas chegam.

          É sabido que Paulo atingiu o zênite da plenitude do Cristo no nadir dos seus sofrimentos!... Ele mesmo descreve na primeira carta aos coríntios: “Até à presente hora, andamos sofrendo fome, sede e desnudez; somos maltratados, vivemos sem casa e nos afadigamos com o trabalho das nossas mãos; lançam-nos maldições – e nós espargimos bênçãos; perseguem-nos – e nós o sofremos; caluniam-nos – consolamos; até esta hora somos considerados como o lixo do mundo e a escória de todos.”

          Os Bispos magnatas da fé vivem entre os magnatas políticos com intenções vantajosas!... Paulo, o pequeno homem, vivia entre os pequeninos a fim de resgatá-los à Cristo. Assim como Jesus, Paulo também sofreu injurias, bofetadas, chibatadas ferozes nas costas deixando-a em carne viva... Quem hoje no meio de nós preserva seu espírito mais que sua carne? Quem assim vive conheceu, saboreou da “Fonte borbulhante” que nos oferece o Cristo!...

          O que vemos neste mundo é hipocrisia! Um monte de nascidos da carne a falar de espírito como se nascidos do espírito fossem. “O homem mental não compreende o que é do espírito de Deus.” – diz Paulo – De onde vem a mente humana senão de si mesmo, do seu pequeno ego? O nosso ego teme a verdade, pois só conhece a mentira! O que não o desperta vantagens não o é aceito, porque o ego (a carne) na sua imbecilidade de querer tornar-se Deus, que é infinito, ignora sua finidade humana...