O celibato ou matrimônio?


“Quem não é casado cuida das coisas do Senhor e procura agradar ao Senhor; mas quem é casado cuida das coisas do mundo e procura agradar à mulher – e está dividido.” (1 Co.7, 25-40)

          A verdade muitas vezes nos faz resmungar a nós – porque ainda nascidos segundo a carne; ainda desconhecedores da grande arte! A nascença do espírito. O Mahatma dizia que “a verdade é dura como o diamante, e delicada como a flor do pessegueiro.” Verdade esta tão bem expressa por Paulo de Tarso em suas magníficas epístolas.
          O celibato ou matrimônio? Eis a pergunta que perturbam gerações a gerações... Pergunta esta já respondida, e respondida claramente por Paulo em sua primeira epístola aos coríntios – posteriormente a nós cristãos do mundo inteiro! Mas nós, leitores contemporâneos do século XXI parece ignorar, ou não mesmo compreende, a profunda mensagem do Cristo em Paulo.
          O padre deve ou não se casar? Mas quem o impede de contrair matrimônio se não sua consciência? Todo homem é livre a fazer o que bem quer... É ele senhor do seu destino; Deus o deu livre-arbítrio. Continua Paulo em seu discurso por escrito: “cada um tem de Deus o seu próprio dom, um deste modo, e outro daquele.” Se o dom que recebeu de Deus aquele homem a se tornar celibatário, assim como Paulo o era, servindo unicamente ao Senhor, nada e ninguém o impedirá nessa sua missão; de mesmo modo ninguém o pode impor outro destino se o dom deste seja contrair o matrimônio. É bom lembrar o que diz Paulo: “quem é casado cuida das coisas do mundo e procura agradar à mulher – e está dividido”
          O Mestre Jesus não proibiu a nenhum de seus apóstolos a não casar-se, este compreender veio espontâneo de acordo com a nascença do espírito, “quem nasce da carne é da carne; quem nasce do espírito é do espírito”. Que necessidade sexual havia àqueles homens que fizeram do seu erotismo carnal a divina alquimia à mística espiritual? Alguns daqueles chamados aos doze discípulos a participar dos mais sublimes diálogos com o Cristo eram casados, no entanto, não viviam segundo a carne, mas segundo o espírito. “Se alguém vier a mim, e não aborrecer a pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não pode ser meu discípulo.” (Lucas - 14).
          Diz Huberto Rohden em seu livro Paulo de Tarso: “Um celibato compulsório constituiria um verdadeiro perigo, não só para a igreja, mas ainda para o próprio caráter do apóstolo. (...) Não menos funesto seria o celibato obrigatório para o caráter do apóstolo, que, sem vocação nem aptidão para o seu munus, teria de continuar nesse estado, acabando fatalmente em uma “hipocrisia profissional”.
          Talvez por preceitos de um abandono em massa dos celibatários as suas atividades religiosas a igreja católica evita, a todo custo, decretar o fim do celibatário obrigatório – é isso que nos parece essa resistência. Desta forma, tão danosa se torna a humanidade o celibato forçoso que o celibato compulsório, quanto o celibato na verdade é uma entrega total e espontânea por amor ao Cristo. 
          Se a igreja católica tivesse confiança no seu poder sacerdotal não havia necessidade alguma em “proibir” o matrimônio aos seus celibatários, que é direito de cada homem que não tem o tem por dom. Tornar-se-ia escassos pastores a guiar os rebanhos?... Pode até ser, mas por outro lado um celibato verdadeiro contribuiria muito mais a humanidade que 10 ou 100 ou 1000 celibatos falsários.
          Se, por ventura, a igreja católica desse liberdade aos seus ministros religiosos em escolha deste ou daquele modo a galgar suas vidas saberíamos a que ponto a hipocrisia religiosa pondera no catolicismo. Por certo veríamos na face dos celibatários que restassem àquela mesma essência aureolada que era envolta Paulo de Tarso. Talvez não vivamos o cristianismo em sua autêntica formação, e sim uma ética apoiada na hipocrisia religiosa dos condutores cegos pelas belezas do mundo efêmero...
          Ser pastor a pastorar ovelhas perdidas aos “Reinos do céu” é antes de tudo ser nascido do espírito!... Quem nasce do espírito não conhece a hipocrisia porque inebriado está na Fonte borbulhante que oferece o Cristo. E este homem não é mais deste mundo, embora viva no mundo. Este contemplou o indizível, por saber o que é o nascer do espírito não sabe dizer...
          O sabor do mundo imaterial a nada se compara a nenhum sabor do mundo material.

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