Que representa para nós, discípulos e discípulas do Mestre Jesus, a última ceia do Cristo? E quem, de fato, é chamado à partilha? Estas perguntas há muito tempo venho tentando respondê-las a mim, mas tenho encontrado embaraces diante as múltiplas interpretações que os chefes religiosos nos têm dado.
Tenho em mãos um pequeno folheto distribuído gratuitamente por determinada igreja cristã, não acho de interesse revelá-la, a qual por meio do folheto diz “comemorar todos os anos a morte de Jesus na memória trazida à última ceia”. Pergunto, devemos mesmo comemorar a morte de alguém? Ainda mais quando este alguém nos tem mostrado maior sinônimo de perfeição em verdade? Não acredito que esta seja a representação da última ceia do Cristo. Comemorar suas últimas quatorze horas de sofrimento, caluniado e espancado; condenado e crucificado pela verdade – sem meio termo – publicada na sua mais autêntica constituição perante ao tribunal dos homens, mestres deste mundo.
Outra argumentação, vindo de outra igreja dita também cristã, diz que para habilitar-se a participar da ceia em memória do Cristo devemos confessar nossas faltas aos homens, como se Deus, que é verdade, fosse alheio a nossa vida íntima, estivesse aqui distante de nós anos-luzes...
Para que confessar aos homens terrenos se o perdão vem do alto, do Deus Absoluto, Onipresente? Será mesmo que o confessor esteja menos próximo do Pai que o confessionário? Só Deus é que mede a extensão de nossos atos, só Ele é quem nos traz o perdão, que nos redime, edificam das cinzas serpentinas às alturas do Cristo redento!...
Participar da ceia em memória do Cristo entregue aos homens por amor a humanidade, é direito dado por Deus a toda e qualquer creatura discípulo e discípula do “Filho do Homem”. É um momento sagrado em que se reflitam as últimas horas do Cristo antes de voltar ao Pai, anunciando que a próxima ceia com Ele será no “Reino dos Céus”. E o que nos conduzirão a glória dos altos é nossa retidão, nossa entrega a conservarmo-nos íntegros em nossa nova nascença, o nascer do espírito.
A consciência de cada um de nós sabe se não ou preparados encontramos para beber do mesmo cálice que o divino Mestre.

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