Não é e nem pode ser nosso intento trazer aqui uma nova doutrina, uma nova fachada de igreja, um novo estandarte estampado a face de um ídolo, o nosso convite deve ser galgar o caminho do Cristo... O Cristo que é: verdade plena. Não poremos a ninguém contra sua doutrina, mas abrir olhos quanto às ditas “verdades” que pronunciam aqueles que se dizem do Cristo, mostrando-lhes um caminho fácil, sem sofrimento, quando na verdade deves olhar no exemplo de Jesus. O caminho do Cristo é tortuoso, cheio de espinhos... Não te dizem a verdade como devias; rouba-te a verdade! – a “pérola dos reinos dos céus” –
Tu deves perguntar no teu âmago que autoridade temos a fala de coisas do alto, se vivemos neste horizonte... Pensamos antes que não somos nós que as queremos dizer, mas o Cristo... Necessitamos galgar por este caminho... Estamos sujeitos ao mundo, pois, ainda não “desnascido” da carne. Enquato temos a vida pulsando em nosso ser nosso grande ideal deve ser vencer a morte...
É dificílimo rejeitar nossos desejos de ganhar o mundo, mas é necessário rejeitar – não porque deve ser assim, mas porque é assim. É uma tarefa árdua compreender que as regalias do mundo material não nos trazem felicidade plena, que a plenitude de nossa vida consiste em renegar a nós mesmos, a nossos impulsos diários... E quando compreendemos que o mundo é tão misero em face desta bondade que anima nossa alma trazendo um suspiro de eternidade, somos vitoriosos porque o vencemos, e não mais somos seus escravos.
Não esqueçamos de nossa condição humana, de nossas necessidades vitais, mas não podemos demasiar nossa existência a coisas supérfluas. Para garantirmos viventes nesta vida tão efêmera não é preciso explorar nossos semelhantes, mas sim buscar o necessário para nós, viver integramente. Acumular materialidades é aceitar sua condição matéria como imperativo humano. E guiando-se por este caminho é certificar-se do fim da vida breve sem a visão da vida inacabada... Entretanto, não é o corpo material, nem a personalidade – que é algo categórico da mente humana– que ganha eternidade após a morte, mas somente a alma, esta, por permissão nossa, movida pelo espírito divino torna-se eterna. A eternidade está no “nascer do espírito!” Somente o que é imaterial não necessita de tempo e espaço para existir. Sua existência é real! E ser real é garantir o existir para sempre!...
Aqui eis nosso convite a uma vida dinâmica e infinita: “nascer do espírito!” Para isso é necessário abandonarmos os barcos que nos arrastam aos mundos desregrados dos nascidos tão só da carne, não mais regressar as doçuras do mundo efêmero e ilusório... Melhor, vamos pôr fogo nos barcos!... Sem eles nossa vida será mais segura, aprenderemos a nadar nas águas do espírito e não mais teremos necessidades de refúgios em ilhas tormentas...
É tão difícil superar os desejos da carne, o ego de querer viver só para nós, querer o mundo! Deixar ser escravo dos objetos mundano não é nada fácil, os adoramos como deuses... Não, não é fácil mesmo “desnascer” da carne e “nascer do espírito”. Mas, não há sacrifício sem dor!... Não há glória se antes não haver persistência ao grande ideal. E o nosso ideal agora é pôr fogo nos objetos que nos prendem ao mundo, que nos arrastam e nos fazem escravizados... Aos poucochinhos adentrar numa nova vida, uma vida em comunhão com o Cristo Onipresente em nosso pequeno ser humano!...
Só nós sabemos dos nossos tormentos diários e noturnos, das doçuras que não nos trazem o sabor eterno a nossa existência... Cabe-nos buscar forças em nós mesmos, pois somos divinos, suficientemente fortes para vencer os objetos que nos prendem a este falso mundo!...

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