O significado intrínseco da Eucaristia


A última ceia...

O momento de eclosão da vinda do amor materializado no homem Jesus. O momento revelador da natureza humana na atuação de cada um dos doze discípulos ali presente em face do calvário tão próximo...
               
“E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim.”

O corpo? Mas como...? Sim, o corpo oferecido ao martírio da cruz, não por sacrifício, mas por amor a humanidade... Ação inteligível a precária inteligência do homem comum. “fazei isto em memória de mim.” Entregar-se a verdade do Cristo com o Cristo... E isto é partilhar com Ele da ceia do pão vivo transformando-se em pão, no exemplo. “Eu sou o pão da vida”.

“Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.”

“a nova aliança no meu sangue”. Esta aliança sem mordaças nem correntes, sem chibatadas e apedrejamentos, sem indulgências e sacrilégios... Esta aliança no sangue escorrido pelo calvário, perfeito sangue de um homem-amor... Aliança que nos convida a caminhar o mesmo percurso que o Cristo, tendo sempre na memória um dos maiores atos de amor ao semelhante.

A compreensão de tudo isto é contrária ao verdadeiro significado que é, fazer-se pão vivo na doação semelhante ao Mestre que se permitiu ser levado ao Gólgota... Sim, se permitiu, pois podia Ele, como sendo presença viva de Deus, afastar de si aquele cálice, pois, “Eu estou no Pai, e o Pai está em mim.”

Não; comungar com Jesus, o Cristo, não é simplesmente comer pão e tomar vinho, como fazem os cristãos do mundo inteiro. Comungar com o Cristo é uma atitude de doação constante ao martírio da cruz... Fazer-se pão de entrega, sem reservas, pois, são poucos, pouquíssimos os que levam o cálice até os últimos instantes: “Pai, entrego em tuas mãos o meu espírito.”  

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