Maria – mãe de Jesus

     
      Segundo Mateus em seus escritos sobre a vida e obras de Jesus – o Cristo – conta que o Nazareno teria nascido de uma virgem. Até aí tudo bem. Mas nas traduções dos textos bíblicos ao português encontramos controvérsias sobre a pureza ou não de Maria após o nascimento de Jesus. 
          Segundo o catolicismo se escreve assim essa passagem bíblica: “Quando acordou, conforme o Anjo do Senhor havia mandado: levou Maria para casa, e, sem ter relações com ela, Maria deu a luz a um filho. E José deu a ele o nome de Jesus.” Sobre o mesmo ponto traduz os evangelhos protestantes: “E José, tendo despertado do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu sua mulher; e não a conheceu enquanto ela não deu à luz um filho; e pôs-lhe o nome de JESUS.”
          Este enquanto é causa de discórdias entre cristãos protestantes e católicos. Uns afirmam por meio dos testamentos bíblicos a castidade de Maria após o nascimento de Jesus, outros afirmam também, pelos escritos sagrados, a não virgindade da mãe de Jesus após seu nascimento. Afinal, Maria preservou-se virgem ou não após dar a luz ao “Filho do Homem”?
         Na primeira tradução nada encontramos sobre a virgindade de Maria após o nascimento de Jesus, mas a segunda tradução nos abre um leque quanto sua integridade após o nascimento do Cristo.
           A igreja católica segue a intuição de que Maria tenha se preservado virgem após o nascimento do menino até o fim de sua vida. Já os protestantes acreditam piamente que Maria tivera relação com José após o nascimento de Jesus, ainda nos dão confirmações supostamente encontradas nos próprios textos bíblicos quanto supostos filhos carnais entre José e sua esposa Maria. “Enquanto ELE ainda falava às multidões, estavam do lado de fora sua mãe e seus irmãos, procurando falar-lhe. Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, e procuram falar contigo. Ele, porém, respondeu ao que lhe falava: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos? E, estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.” (Mateus). Mas quem é na verdade os irmãos de Jesus em companhia de Maria, sua mãe?...  
          Mais adiante, nos escritos de Mateus encontramos este trecho: “Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?” Seriam estes os irmãos de Jesus por parte de Maria e José?
          Ainda no princípio do seu livro Mateus relata o chamado dos apóstolos aos doze: “E Jesus, andando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãosSimão, chamado Pedro, e seu irmão André, os quais lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores.” – Aqui o primeiro encontro de Jesus com os irmãos Simão e André – “E, passando mais adiante, viu outros dois irmãos – Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, no barco com seu pai Zebedeu, consertando as redes; e os chamou.” Tiago e seu irmão João eram filhos de Zebedeu.
          Os “irmãos de Cristo” a que se referem os evangelhos são na verdade seus apóstolos chamados ao convívio mais próximo do Mestre enquanto Ele ainda não havia subido ao Pai – embora Jesus afirme que todos são seus irmãos – Estes acolhidos por Maria como filhos gerados por ela. Nem sempre Jesus andava em companhia de seus doze apóstolos. Eles não foram chamados a serem guardiões do filho de Deus na terra, mas escolhidos a compreensão da divina mensagem do Mestre, o mistério “nascidos do espírito”, a fim de propagar a todas as gerações vindouras... “Se alguém vier a mim, e não aborrecer a pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não pode ser meu discípulo.” (Lucas - 14).
          Quanto a esta questão de irmãos de Jesus por parte de Maria e José a igreja católica rebate com a justificativa de que primos carnais também eram tidos como irmão naquele tempo. Neste sentido os ditos “irmãos de Jesus” eram na verdade primos: Tiago, José, Simão, e Judas?”– e mais adiante, João – “Mulher, eis teu filho! João, eis tua mãe!”
          Pois bem, nos escritos de Lucas encontramos Jesus aos doze anos... Assim dizem em ambas as traduções: “E o menino ia crescendo e fortalecendo-se, ficando cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele. Ora, seus pais iam todos os anos a Jerusalém, à festa da páscoa. Quando Jesus completou doze anos, subiram eles segundo o costume da festa;” Então, aqui encontramos um novo mistério. Se Maria e José tiveram mesmo relações após o nascimento de Jesus, então porque até aquele instante só tinha como filho o menino Jesus? Sabiam eles que ter relações sexuais tinha de ter como finalidade a procriação e não a satisfação dos desejos da carne?... De fato, Maria “bendita entre as mulheres”, tendo seu útero como templo escolhido por Deus Pai a formar o “Filho do Homem”; Maria compreendida de sua missão de mãe do Cristo Redentor, vivenciando cada passo do menino; Maria que soubera a hora exata de o Cristo revelar-se a humanidade com sua capacidade infinita de cura e perdão as creaturas tão necessitadas de vida plena... Maria que suportastes a mais penosa dor de ver seu filho injuriado, espancado ao calvário à morte de cruz... Não; Maria não se daria o desfrute em adulterar-se sua integridade, pois ela fora espiritualizada com o verbo divino a se fazer carne em seu ventre... E juntamente com esta formação transformava-se... Maria nascia do espírito quando nascia ao mundo – a resgatar os perdidos – o Cristo em espírito e verdade!...     
          Que necessidade em conhecer os prazeres carnais da libido há a alguém que nasceu do espírito com o Cristo? É evidente que tanto Maria quanto José – pais terrenos de Jesus – preservaram-se íntegros até o fim de sua vidas, porque estes foram chamas a discípulos do Cristo, a Luz do mundo.

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