“Castidade é, antes de tudo, um imperativo biológico.
Castidade não é necessariamente abstenção,
mas sobretudo disciplina sexual”(Huberto Rohden).
Tomando como ponto de partida à nossa reflexão, utilizamos destas tão sublimes palavras escritas por Rohden. Antes de aceitá-las como verdade é preciso que voltemos um pouco na história.
Trazemos como subsidio ao pensamento de Rohden a concessão do apóstolo Paulo de Tarso, no que se refere ao matrimônio ou celibato.
É necessário controlar os impulsos libidinosos, se assim não fizermos, jamais alcançaremos a luz do nosso maior ideal – o nascimento pleno do espírito – Paulo nos deixa claro a fraqueza humana diante a satisfação sexual, que é vital do nosso estado animalesco, mas desnecessário ao hominal. Aqui descrevo: “por causa da prostituição, tenha cada homem sua própria mulher e cada mulher seu próprio marido.” A concessão de Paulo ao sexo não quer dizer que o homem e a mulher estão isentos de penas por excesso libidinoso, ao contrário, impõe ao homem e a mulher que mantenham certa disciplina sexual, a fim de aproximar a renascença do espírito. Enquanto busquemos o prazer da carne o nascer ao espírito torna-se uma utopia.
A poesia de Moisés nos Gênesis nos chama a atenção de como o pecado tenha entrado no mundo: através do fruto proibido, ou seja, da descoberta da libido, e este é o pecado original da árvore do conhecimento.
“Contudo queria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um deste modo, e outro daquele” Paulo encontra-se num estado de renuncia total do seu ego humano, lucificado pela luz divina, “desnascido” da carne ao espírito. Por mais que distanciamos os olhos da verdade, ela jamais deixará de ser o que realmente é: imutável.
Rejeitar nossa condição humana, a “árvore do conhecimento”, e mergulhar de total entrega a “árvore da vida” é tornarmos verdadeiramente nascidos para o espírito... Isto é possível, consta-se em nossa história mais recente um bom exemplo. O grande líder religioso indiano Mahatma Gandhi, traduz em sua vida perseverante essa possibilidade de renegar os impulsos da carne em demanda ao espírito divino, que é nossa verdadeira identidade. “Não vos negueis um ao outro, senão de comum acordo por algum tempo” Esse “acordo” que refere Paulo, é o que de fato comina numa vivência integra, harmoniosa. Prolongar este “tempo” é integrar-se aos poucos ao grande ideal que nos libertam da Lei de Moisés e nos integra a “nova aliança com Deus”. E esta “nova aliança” nos convida “a estatura da plenitude do Cristo”.
A Lei que rege o destino do homem por si mesmo é sua própria Lei.
O homem que busca o conhecer a si mesmo é regido pela Lei divina.
O Homem quando conhece a si mesmo, esse já não necessita mais da Lei, pois se integrou à Lei, é a própria Lei.

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