Se Sócrates vivesse naquele tempo e andasse pelas ruas de Jerusalém e contemplasse aquele pregador de verdades – o bom Nazareno – com toda sabedoria divina, por excelência, encontraria n’Ele o modelo prático de sua filosofia de homem imortal, “combinação de uma alma e de um corpo que se unem para toda a eternidade”. Pois que sua vivência íntegra, a verdade materializada no humano Jesus transbordaria de jubilo o coração do filósofo grego... Aquele homem divino, lucificado pelo espírito de Deus em abundância, conduzindo aquelas pobres almas ao caminho da verdade – Ele mesmo –.
O filósofo um dia despertado a grande Realidade simplificou em poucas palavras a ignorância do homem diante ao conhecimento divino, “O sábio deve antes de tudo saber que nada sabe” – E nada sabia, era ciente de sua ignorância – Estava Sócrates na luz da verdade! Era sábio por dobrar-se à sabedoria universal!... Mas adiante diria Paulo de Tarso que “Deus apanha o sábio em sua sabedoria”.
Ah, se pudesse contemplar aquela sena: uma mulher à beira de seu apedrejamento porque a julgavam pecadora... Aquele moço tomando a frente daquela prostituta, a advogar sua causa, se ajoelhando e riscando o chão como se procurasse uma palavra para defender aquela Madalena... Mas, a palavra era; já sabia o Mestre o que dizer antes que o primeiro perseguidor apanhasse a pedra – Apenas sente a alma em frêmito... – “Quem não tiver pecados – dizia o Cristo erguendo-se – que atire a primeira pedra!” Um grande silêncio toma a consciência de cada um daqueles pecadores... Tão logo a multidão dispersa, e a absolvição da prostituta é dada: “Segue, e não mais volte a pecar”.
O que mais impressionaria o velho Sócrates não era o fato de aquele homem tão puro advogar em causa de uma prostituta, entregue a luxuria da carne... Tampouco seus pecados perdoados num olhar seguido de poucas palavras; mas a sabedoria em desatar aquele nó. Pois o Nazareno encontrava-se numa encruzilhada: a vista havia apenas duas respostas aos agressores de Madalena, uma era aceitar a luxuria como algo lícito, neste caso terminaria por adulterar a Lei de Moisés quanto à prostituição, e o pior, seus princípios imutáveis; outra era condenar aquela mulher e numa só palavra tornar-se cúmplice ao massacre daquela prostituta indefesa... Mas não, havia uma saída! E não era uma probabilidade! Era uma verdade!... Com sabedoria mais que qualquer pensador helênico agiu em defesa à Madalena, condenando seus agressores por suas consciências, ou seja, apanhando os sábios na sua própria astúcia.
Apenas um poderia apedrejar a transgressora da lei mosaica, mas este veio ao mundo não para apedrejar os pecadores, mas para perdoá-los afim de que não pequem mais. Conduzi-los à Luz!

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